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O bonde segue, devagar e sempre

13 de julho de 2016

O Globo, Gustavo Goulart, 13/jul

O aposentado José Gonçalves de Souza, de 68 anos, chegou cedo à estação Rodoviária do Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT Carioca. E acabou sendo o primeiro a embarcar na viagem inaugural do bonde entre a Rodoviária Novo Rio e o Aeroporto Santos Dumont, às 8h de ontem. Ele, que tinha acabado de chegar de Angra dos Reis, onde mora, precisava ir para a Cinelândia. O trajeto até o destino foi como um passeio pela Zona Portuária renovada e pelo Centro da cidade sem a confusão do trânsito na hora do rush.

Os primeiros passageiros a circularem pelo novo trecho do VLT aprovaram o meio de transporte, apesar de alguns percalços, como paradas de cinco a dez minutos para a liberação da via férrea. E, na altura da estação Santo Cristo, uma moradora de rua se deitou sobre o caminho do bonde. Retirada por um operário, ela acabou retornando aos trilhos, parando bem em frente a um VLT, que precisou ser freado bruscamente e aguardar até que a mulher saísse do local.

- Para mim, é uma honra estar participando deste momento. Vou para a Cinelândia e os guardas me disseram que a linha do VLT da Novo Rio para o aeroporto ia ser inaugurada - comentou José Gonçalves, antes de embarcar. - Me senti no Primeiro Mundo. Tem conforto, sem aquele estresse do trânsito. Acho que acertaram em cheio com o VLT - completou ele, já no meio da viagem.

O trajeto de cerca de sete quilômetros foi feito, na primeira vez, em aproximadamente 50 minutos. Considerando a distância e o tempo gasto, o VLT andou, em média, a cerca de 7 km/h, menos da metade da velocidade estimada para os bondes quando estes estiverem operando com sua capacidade plena. Uma pesquisa no Google Maps indicou que o trajeto feito a pé levava 1h05m.

Segundo o VLT Carioca, o tempo da viagem da rodoviária até o Santos Dumont deve cair para 33 minutos, em média. Atualmente, o equipamento está em fase de adaptação à rotina da população. Após essa etapa, durante a passagem do veículo será acionado um sistema de sinalização que abrirá o sinal para a linha férrea quando o trem estiver se aproximando, enquanto que para o trânsito de veículos o sinal ficará vermelho.

O casal Rubens, de 59 anos, e Solange Bissol, de 58 anos, que mora em Nova Iguaçu, na Baixa Fluminense, desembarca diariamente na Novo Rio para pegar outra condução até o Centro. Os dois, que trabalham no Clube Naval, experimentaram o novo transporte ontem. Assim como outros usuários, estavam satisfeitos de escapar de engarrafamentos.

- Soubemos do VLT e resolvemos usá-lo. É muito bom. Chega de estresse para ir até o Centro - avaliou Solange.

Durante a viagem, pontos como a Cidade do Samba e o AquaRio eram vistos da janela pelos passageiros.

- No VLT a gente não pega engarrafamento e ainda tem um visual bonito. Muito bom, está aprovado - afirmou Luiz dos Santos, de 63 anos, funcionário de uma empresa de segurança no Centro, que também pegou o trem na rodoviária.

Morador de Vila Velha, no Espírito Santo, o carioca Renato Bandeira, de 54 anos, escapou ontem do congestionamento na ida para o Aeroporto Santos Dumont pegando o veículo sobre trilhos:

- Meu voo é às 10h, e já tinha sido alertado que, para chegar ao aeroporto, encontraria tudo engarrafado nesse horário, com congestionamento até o Flamengo. Aí pensei no que poderia fazer. Acordar de madrugada e vir para o Santos Dumont? Andando pela cidade percebi que pegando o metrô e depois o VLT chegaria mais rápido do que se estivesse num táxi, mofando no trânsito.

Antônio José Santana, de 63 anos, prestador de serviços para a Receita Federal, diz que vai adotar o trem para ir até o trabalho.

- O VLT encurtou muito o tempo até a Praça Mauá, onde trabalho - disse ele, que embarcou na Novo Rio.

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