Notícias do Setor

A arte mudou, e a Tate Modern foi atrás

17 de junho de 2016

O Globo, Segundo Caderno, 17/jun

Desde que foi inaugurada, há 16 anos, a Tate Modern - hoje o mais popular museu de arte moderna e contemporânea do mundo - mudou completamente a margem Sul do rio Tâmisa. A área, que antes era esquecida, é agora uma das mais visitadas de Londres. A icônica construção industrial, uma antiga usina, acaba de ganhar um outro componente, como se fosse uma segunda chaminé gigante, porém em forma de pirâmide retorcida. A Tate abre hoje as portas de um novo prédio que transforma radicalmente suas galerias e promete modificar também, de novo, o lado cultural de uma cidade em metamorfose constante.

A construção, conhecida como Switch House, aumenta a capacidade do museu em 60%, deixando a Tate mais internacional e multimídia, com mais fotografias, vídeos e instalações. Quando abriu, o museu esperava receber dois milhões de pessoas por ano. Hoje esse número chega a cinco milhões. Com o novo anexo, de dez andares, há mais diversidade e menos barreiras entre a arte e o público. Um acervo bem mais global - resultado de aquisições que ampliaram a coleção permanente em 75% nos últimos anos - se espalha por espaços projetados para abrigar performances ao vivo e reforçar o clima de encontro de gerações que caracterizou o lugar desde o início. "A arte muda, nós mudamos" é o slogan do projeto.

Uma torre gigante com 800 aparelhos de rádio do carioca Cildo Meireles ("Babel’’, 2001), a instalação "Tropicália’’ (1966-7), de Hélio Oiticica, que inclui uma gaiola de araras, e a escultura "8 Levels’’ (2012), da paulistana Jac Leirner, marcam a presença do Brasil. A Switch House é assinada pela dupla de arquitetos suíços Herzog & de Meuron, a mesma que transformou a estação de energia elétrica desativada em galeria em 2000.

- Não se trata de uma mera extensão, mas de uma nova Tate, com uma outra visão de mundo - disse o diretor do museu, Nicholas Serrota.

O espaço público tem três pisos para exposições. Os outros andares são ocupados por salas para cursos, atividades comunitárias, restaurante e um terraço. O novo anexo está conectado ao prédio já existente (Boiler House), o que permitiu que a exibição do acervo fosse repensada. A reforma resolve o que era considerado o ponto fraco da Tate: galerias apertadas e poucos lugares para os visitantes relaxarem. Agora o público pode circular por ambientes amplos, que abrigam 800 trabalhos de 300 artistas de 50 países.

A coleção junta nomes familiares, como Picasso e Matisse, a trabalhos menos vistos. A ideia é refletir não apenas o que é produzido em Londres, Paris e Nova York, mas também em cidades tão distintas quanto Zagreb, São Paulo e Tóquio. A principal responsável pela curadoria, Frances Morris, ressalta a maior representatividade feminina nas coleções em exibição. Metade das salas individuais é ocupada por mulheres, entre elas estrelas como a francesa Louise Bourgeois e a japonesa Yayoi Kusama, e nomes menos celebrados, como a romena Ana Lupa.

- Desde que a Tate abriu, o mundo mudou, e a arte também. O acervo era focado na Europa Ocidental e América do Norte. Agora inclui obras de América Latina, Ásia, África, Oriente Médio e Leste da Europa - explicou Frances.

PROJETO AVALIADO EM R$ 1,2 BILHÃO

A Switch House abre com quatro exposições que têm um ponto em comum: mostrar como, a partir dos anos 1960, os artistas passaram a buscar um outro tipo de relação, mais dinâmica, com o público. Há obras como Pink Tone (2009), um cubo de vidro cor de rosa que muda de tom de acordo com a luz do dia, da americana Roni Horn, e a maquete de uma cidade feita de cuscuz, do argelino Kader Attia.

O principal desafio dos arquitetos Jacques Herzog e Pierre de Meuron foi criar um prédio que não destoasse do complexo, de 1950. O projeto, avaliado em 260 milhões de libras (cerca de R$ 1,2 bi), entre fundos oficiais e privados, reforça a tradição de Londres de oferecer espaços públicos invejáveis. A nova Tate é ousada, mas não foi criada só para quem entende de arte contemporânea. Na entrada, a instalação "Tree’’, do chinês Ai Weiwei, com partes de árvores mortas remontadas no estúdio dele em Pequim, simboliza as experiências criativas que o lugar quer promover.

Matéria original em

Mais Notícias do Setor

Outras matérias

logoAdemiRodape.png
Av. André Araújo, nº 97
Ed. Fórum Business Center, 12º andar, sl. 1212
Bairro Adrianópolis
CEP 69057-025 - Manaus-AM
Telefone: (92) 3346-2800, ramal 22
E-mail: ademi.amazonas@gmail.com
Pesquise o site
Desenvolvido em SPIP pela Calepino